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Meu Perfil: Rio de Janeiro, 34 anos. Juro que sou terráquea... Sou normal (inclusive...), não tenho anteninhas verdes, mas ouço as Vozes... As pessoas às vezes me olham de maneira estranha, mas no geral não saem correndo não... Sou muito mística, aquariana com ascendente em peixes, ainda tenho fé na humanidade e acredito no poder do pão de queijo sobre o humor das pessoas. Tenho medo de escuro, de janelas abertas, de altura e não tenho medo de jabuticaba e nem de pedra (como algumas amigas minhas...*rs*) Ah, eu também acredito que as tartarugas vivam 150 anos! E sou devota de Santo Rocco, que nem a minha amiga Ane. Que mais? Acho que é isso... |

Vou postar uma música que muito reflete minha alma e minhas contradições...
METADE
(osvaldo Montenegro)
E que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca,
Porque metade de mim é o meu grito
e a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe seja linda,
mesmo que triste.
Que a mulher que eu amo
Seja para sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida
E a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece
Nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimento,
Porque metade de mim é o que ouço,
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma
e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste!
Que conviva comigo mesmo
E se transforme ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto
um doce sorriso que me lembro
ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui;
e a outra metade não sei.
Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo,
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta,
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar,
Porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia,
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor
e a outra metade também.
É... somos todos espelhos e metades perdidas...
Somos contraditórios... queremos o mundo e fugimos dele...
Queremos ser felizes mas temos medo de arriscar...
Queremos o céu mas temos tanto medo de voar...
*olhar pensativo*
Os ventos sopram e me trazem as Vozes...
Elas me dizem:" hora de quebrar seu silêncio. Arrisque-se..."
Eu fico assustada.... "E esse medo do desconhecido? Faço o que com ele?"

Esse é o lema.
Coisas boas acontecem... tornam-se passado... viram saudade...
Tudo em nossa vida tem que passar, como uma nuvem. Às vezes ela apenas esconde o sol e dá aquela trégua no calor... mas às vezes prenuncia uma baita tempestade e é escura, demora a passar. Mas ela também vai passar, é questão de tempo.
Então, no meio daquele céu cinza, avistamos o sol. É... ele ainda brilha para todos. Continua lá, desde sempre...
Os ventos sopram e me trazem as Vozes...
E elas me dizem para não resistir, não lutar contra as marés... apenas continuar a nadar...
E é o que estou fazendo.


A luz se apagou...
E agora? O que resta?
Um caminho, ainda o mesmo caminho, só que com menos luz... sem a luz dos olhos de minha amiga...
A estrada continua, mas a mão dela não está mais na minha... o sorriso dela não está mais me acompanhando... os olhos brilhantes e vivos estão mirando outras paisagens...
Ela se foi. Para longe, não a alcanço. Não sei onde está, por que lá está. Ainda deveria continuar nessa estrada, mas ela tomou outro rumo.
Se foi... para sempre...
Eu fiquei aqui, com o olhar chocado, perdido no horizonte...
O vento sopra...
As vozes me dizem: acabou...
E eu aqui, ainda sem entender, olhando a paisagem cinza na janela da vida...